Padre Cícero: o apóstolo rebelde

Há 42 anos, no dia 5 de março de 1976, o Cine São Luiz recebia o pré-lançamento em Fortaleza do filme “Padre Cícero: o apóstolo rebelde” de Helder Martins de Moraes. O lançamento oficial, a avant-première do Padre Cícero, também aconteceria em Fortaleza, no dia 7 de março, um domingo, às 23h, no Cine São Luiz, com a presença de Luiz Severiano Ribeiro Neto, Alberto Cavalcanti, “o mais famoso e discutido homem do cinema do Brasil”, Francisco Martins de Morais, Helder Martins, Emmanuel Cavalcanti, Jofre Soares, Ana Maria Miranda, autoridades, integrantes do elenco e da equipe técnica local, com lançamento simultâneo em Belém, Juazeiro, Crato e Recife.

Após 42 anos, o Cineteatro São Luiz coloca “Padre Cícero: o apóstolo rebelde” em cartaz novamente e com entrada gratuita. O filme que será exibido nesta quarta-feira (21/11), às 19h, faz parte do “III Festfilmes – Festival do Audiovisual Luso Afro Brasileiro” que ocorre no equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará nos dias 20 e 21 de novembro.

Voltando a 7 de março de 1976:

“Naquela noite de efusiva participação e cinema lotado, o produtor Francisco Martins de Moraes confessou: “Estou contente com os primeiros resultados do filme, que já tem a seu favor o seguinte: foi escolhido entre 20 filmes para integrar os 6 que participaram do Festival de Gramado. Contrato de distribuição no exterior filmado com a Empresa Brasileira de Filme, Embrafilme, para venda de Padre Cícero em todos os países. Padre Cícero recebeu convite para participar do Festival de Tashkent, na União Soviética, na segunda quinzena de maio de 1976”.

Em seguida, em discurso improvisado, Emmanuel Cavalcanti diria, entusiasmado, acreditar no ciclo de realizações cinematográficas, citando como exemplo o Padre Cícero na região Norte e Nordeste, pela beleza tanto natural quanto autêntica onde aconteceram os episódios, então destacando este documentário do padre Cícero Romão Batista.

Helder Martins, em sua fala, reforçou o objetivo do filme e defendeu a realização de sua continuidade: “Todos os fatos narrados no filme são verdadeiros e os textos foram copiados literalmente dos processos. Julgamos que não tínhamos o direito, num filme biográfico, de nos afastar da verdade para tornar a vida do padre Cícero mais ‘cinematográfica’ com apelações para violência e sexo ou outros recursos tão ao agrado dos que se preocupam mais em faturar do que em promover os valores da nossa cultura. Com este filme, lançamos as bases para um segundo, em que se assistirá a progressiva transformação do padre Cícero, de um sacerdote voltado exclusivamente para a igreja para o religioso e político que viria a ser”.

(As informações deste texto foram tiradas do livro “Padre Cícero – O filme” de Raymundo Netto”)