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A Exposição Novos Olhares para Monalisa vem sendo apresentada em Fortaleza e em algumas cidades do interior do Ceará em recortes temáticos de parte da coleção de releituras da Monalisa, pertencente a Veridiana Brasileiro, médica atuante em Fortaleza/CE e colecionadora e amante das artes. Esta coleção iniciou-se há 14 anos e atualmente é formada por mais de 600 releituras (entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, têxtil, fotografias, assemblage) de artistas locais, nacionais e internacionais, porém, em sua maioria, são artistas cearenses, que representam a maior parte da coleção, um recorte contemporâneo da atividade artística do nosso estado. Além das obras de arte, há um rico acervo em artesania e objetos colecionáveis, garimpados ao longo de viagens pelo interior do Brasil ou pelo exterior, numa busca pela diversidade do artesanato regional.

 

Em março de 2018, parte da coleção foi exposta no Museu do Ceará, em Fortaleza, com uma apresentação de 153 Monalisas, que permaneceram em exposição no período de 10 de março a 17 de abril de 2018. A partir desta exposição, recebeu o convite para outras exposições, incluindo cidades do interior. Desde então, em recortes diversos, a coleção vem sendo apresentada em equipamentos culturais de Fortaleza e outros municípios, tais como: Quixadá, Aracati, Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Nova Olinda, Sobral e Eusébio, até este momento totalizando 19 exposições, e foi vista por mais de 40.000 visitantes.

Em todos os locais por onde a coleção tem sido apresentada, a expectativa de alcance de público e repercussão vem, em muito, sendo superada, com grande número de visitantes, além da crítica positiva. Isto se deu pela beleza que esta coleção exibe, despertando a arte no visitante. Observa-se o encontro e a fruição do observador e a possibilidade de discutir sobre diversas formas de arte, embora na mesma temática. Em um tema singular, tem-se a abrangência de outros personagens representados na forma de Monalisa e a representação da cultura regional, da história e folclore regional. Muitos se surpreendem com a qualidade artística da coleção, representada por grandes nomes autorais e pela riqueza do acervo em termos de técnicas e diversidade de expressões.

 

É uma coleção concebida, desde o início, com o intuito de ser apresentada ao público geral, com a intenção de estimular a apreciação da arte e de aproximar as crianças e jovens deste campo tão importante na formação e educação.

Assim, entende-se a importância deste projeto por seu alcance e capacidade de sensibilizar a população para a arte, uma vez que se utiliza de uma imagem icônica, representada pela obra de arte mais famosa do mundo e que tem uma história emblemática com a história da arte e suas releituras. É um projeto essencialmente educativo e de fácil assimilação, mesmo para quem não tem o convívio com a arte. É um começo para o despertar!

Esta coleção significa um pouco da importância do colecionismo, das releituras, do imaginário de cada artista e da força da arte, ressignificando as diversas formas e técnicas artísticas aos olhos dos artistas e do público.

Neste projeto para o Cineteatro São Luiz, propomos a apresentação virtual da Exposição Novos Olhares para Monalisa por Elas, um recorte da coleção composto exclusivamente por artistas mulheres do Ceará, expondo a produção artística através do olhar feminino, em que as mulheres retratam a Monalisa.

OBRAS
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Andréa Dall'Olio
 

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Matemática da Monalisa

Técnica mista sobre tela, 70 x 50 cm

Novos Olhares Para Monalisa, uma coleção acessível ao público

 

Esta Coleção conta uma história que vem se desenvolvendo - e continua a encantar – na cidade de Fortaleza, capital do Ceará, Brasil. É a história de uma médica colecionadora, que se apaixonou tardiamente pela arte. E, ao refletir sobre as mudanças e benefícios que o contato da arte trouxe para sua vida, decidiu tornar pública sua coleção, definindo como seu público alvo aqueles que não têm a oportunidade do contato com a arte. 

A médica Veridiana Brasileiro iniciou o seu interesse pelo colecionismo na infância, quando colecionou papéis de carta, cartões telefônicos, cartões postais, revistinhas em quadrinhos, playmobil, moedas e selos. A coleção de selos foi a primeira que ela encarou de forma profissional, iniciando aos onze anos e alcançando o seu ápice com mais de mil selos, todos catalogados por temáticas, aos quinze anos de idade. O seu despertar para as obras de arte surgiu em uma viagem para a Europa em 2008, quando entrou em contato com as obras primas dos grandes mestres da história da arte. E uma obra, em específico, sensibilizou-a mais que as outras: a Mona Lisa. 

A pintura Mona Lisa, do grande mestre Leonardo da Vinci, é uma obra renascentista repleta de mistérios, que vão desde a identidade da modelo, às técnicas inaugurais de pintura como o sfumatto e a perspectiva na paisagem, o sorriso enigmático, as proporções matemáticas, e, até mesmo a história do seu roubo, no início do século XX. Todos esses segredos arrastam multidões para o Museu do Louvre, em Paris, onde se encontra essa obra prima, além de despertar o interesse de inúmeros artistas a fazerem a sua releitura da Mona Lisa. A releitura de uma obra de arte é uma forma de interpretação do artista e a possibilidade de se exercitar a criatividade, através de sua técnica e de seu estilo artístico.

Após o encontro de Veridiana com a pintura renascentista do início do século XVI, a imagem ficou gravada em sua memória. Durante a sua estada em Paris, ela entrou em contato com algumas releituras de estudantes de artes, de designers, de artistas, além da imagem da Mona Lisa estampada em objetos diversos, como bandejas, xícaras, lenços, pastas, cadernos, cartazes, etc. Ao retornar dessa viagem, observou que trouxe consigo oito releituras da obra de Leonardo da Vinci e mais alguns souvenirs e, como uma colecionadora nata, percebeu que, nesse momento, poderia surgir uma nova coleção.

Na convivência com alguns artistas locais e o contato pela internet com tantos outros, no Brasil e mundo afora, e com a gênese da nova coleção, as encomendas aos artistas iniciaram-se. A primeira obra encomendada a um artista cearense, Vando Figueiredo, foi a união da obra iconográfica com a imagem da colecionadora na linguagem desse artista. Buscando a aproximação com a obra original, Veridiana solicitou que esta obra fosse realizada conforme a original: a mesma técnica, o mesmo suporte e a mesma dimensão. Assim, foi utilizada a madeira como suporte, a técnica da tinta óleo, nas dimensões de cinquenta e três centímetros de largura por setenta e sete centímetros de altura, para retratar a colecionadora em pose de Mona Lisa.

As releituras de obras de arte são realizadas desde a antiguidade. O artista tem a liberdade de recriar a obra a partir da sua linguagem artística, interpretando-a, sem descaracterizar por completo a obra original. É importante compreender que uma releitura artística não significa cópia ou falsificação e, sim, uma nova obra a partir desse novo olhar. A obra de arte que mais frequentemente é tida como referência para releituras é a Mona Lisa, obra de Leonardo da Vinci, pintada entre 1503 e 1506 em Florença - Itália. Sua primeira releitura reconhecida foi a do pintor Renascentista Rafael Sanzio em 1504, um estudo da obra original, ainda em desenvolvimento à época. Por volta de 1503-1509, a versão da Mona Lisa que se encontra no Museu do Prado foi pintada por um dos discípulos de Da Vinci. Mais recente, a releitura mais famosa é a do pintor Dadaísta Marcel Duchamp, datada de 1919, na qual ele acrescentou um bigode e um cavanhaque na reprodução da Mona Lisa. Também fizeram as suas releituras os artistas Salvador Dali, Andy Warhol e Bottero, Inúmeros artistas contemporâneos continuam fazendo as suas interpretações dessa obra. A Mona Lisa é, portanto, a obra de arte que mais sofre a interferência de releituras. E esse alcance torna-a a obra de arte mais conhecida do mundo.

A releitura baseia-se no processo de recriação, de um posicionamento crítico do artista perante a obra original, que impregna, na sua produção, novos conceitos, que possibilitam que a obra ganhe novos significados. É uma reflexão acerca da obra de arte original, na qual o artista imbui sua identidade artística na produção de uma obra que tem a gênese no passado e o foco no contemporâneo. Tendo como resultado uma nova criação e não uma mera recriação repaginada. O que caracteriza uma boa releitura é quando o artista recria valores, e não adota simplesmente a cópia da obra original, sendo necessário que o artista tenha uma plena compreensão dos significados da obra que será relida e, posteriormente, desenvolva o seu processo criativo e construtivo.

À medida que a coleção foi sendo formada, a colecionadora despertou para o interesse de apresentá-la ao público, com a intenção de formação de público para a arte e de disponibilização de suas obras para a educação artística, apresentando diversas técnicas, estilos e artistas. A colecionadora envolvia-se com cada nova obra, com o diálogo que travava com cada uma e que a permitia aproximar-se, ainda mais, da obra original e do artista que executou a releitura. 

O ano de 2018 foi um marco para a coleção, que constava, à época, com aproximadamente 300 obras e que teve sua primeira exposição no Museu do Ceará, em Fortaleza/CE, com 153 obras em exibição. Esse feito apresentou cerca de 80 artistas cearenses, como também artistas nacionais e internacionais, com uma duração de quarenta dias em exibição e, aproximadamente, quatro mil e quinhentos visitantes.

 

A mostra surgiu com o objetivo de disseminar arte e cultura ao público em geral e despertar o interesse naqueles que ainda não conhecem ou não têm oportunidade do convívio com a arte, utilizando-se de uma figura icônica e de alcance popular por sua temática. A expectativa de alcance de público e repercussão foi superada com grande número de visitantes, além de comentários positivos. Isso se deu pela beleza e importância que esta coleção exibe, sensibilizando a população ao aproximar a arte das pessoas, para fruir e discutir sobre diversas formas de arte, numa mesma temática. Muitos se surpreendem com a qualidade artística da coleção, representada por grandes nomes autorais e pela riqueza do acervo em termos de técnicas e diversidade de expressões.

 

A extraordinária repercussão da exposição inaugural teve como consequência novos convites para outras exposições. Nesse momento inicial surgiram novos desafios, tais como a possibilidade de montar exposições no interior do Ceará, o que gerou preocupações como o transporte das obras, embalagens, a curadoria, a comunicação visual, a montagem, dentre outros. Mas, os obstáculos foram superados.  Mais convites apareceram, e a mostra seguiu o seu destino e já percorreu as cidades de Quixadá por duas vezes, Crato, Barbalha, Nova Olinda, Juazeiro do Norte por três vezes, Aracati, Sobral, Eusébio e Fortaleza por seis vezes, com estimativa de mais de 35 mil visitações presenciais. 

Atualmente, a coleção possui mais de 600 releituras, sendo o maior recorte o de artistas cearenses, com cerca de 200 artistas. A compilação de obras é formada por diversas linguagens e estilos. Na pintura, tem a técnica com tintas acrílica, óleo, aquarela, guache e spray grafite; no desenho, tem a técnica com carvão, pastel, grafite, lápis de cor, caneta esferográfica e nanquim; nas esculturas, existem as técnicas de cerâmica, argila, resina, pó de mármore e pó de bronze, madeira, impressão 3d e têxtil; na gravura, existem as diversas modalidades como xilogravura, linóleo gravura, litografia, em metal, digital, além da participação de várias matrizes; na arte têxtil, pode-se ver crochê, bordado, bordado livre, costura; há também fotografia, colagens e técnicas mistas e inúmeros objetos colecionáveis, que não estão contabilizados juntamente às obras de arte.

Desde seu início, a coleção foi concebida com o intuito de ser apresentada ao público, pois a autora do projeto sentiu-se tocada pela arte e percebeu os efeitos benéficos deste novo hobbie e paixão, que lhe trouxeram ganhos diretos no seu bem-estar físico, mental e social e proporcionando-lhe muita felicidade, preenchendo lacunas que poderiam ter sido ocupadas por stress ou seus efeitos danosos para o organismo. 

Além do contato com a arte, as exposições mostram o lado do colecionismo que a médica traz desde a infância, atividade que foi muito importante na sua formação pessoal, deixando experiências e vivências que frutificaram em todos os âmbitos de sua vida, sendo exemplo e estímulo por onde passa.

O projeto traz duas premissas: os benefícios do contato com a arte e a prática do colecionismo. A arte e o colecionismo aproximam as pessoas e facilitam novas relações interpessoais, melhorando a civilidade. São atividades que permitem a expansão do conhecimento e da cultura em geral, sobretudo, melhoram a saúde mental.

O objetivo do projeto é seguir de forma itinerante, e alcançar o público em geral, sempre na intenção de oportunizar às populações mais carentes acesso à cultura, com a missão de cultivar e encantar pela arte, provocando o surgimento de uma geração com novos talentos, e mais participativa no crescimento cultural e social da população, visando à melhoria da qualidade de vida. A coletânea continua em processo de expansão na sua meta de difusão e de fomento às artes cearenses, através de ações culturais.

A importância deste projeto vem do seu alcance e capacidade de sensibilizar a população para a arte, uma vez que se utiliza de uma imagem icônica, representada pela obra de arte mais famosa do mundo e que tem uma história emblemática com a história da arte e suas releituras. É um projeto essencialmente educativo e de fácil assimilação, mesmo para quem não tem o convívio com a arte. 

É um começo para o despertar!

 

Andréa Dall’Olio Hiluy

Arquiteta, artista plástica, curadora

Anete Mendonça

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Monalisa Sanfoneira, 2020

Pintura em acrílica sobre tela, 45 x 30 cm

 

Annelise Grieser

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Monalisa Tinha um Gato, 2019

Escultura em cerâmica esmaltada,

com técnica do Kintsugi pós queima

27 x 27 x 16 cm

 

Azuhli

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Monalisa não é de ninguém, 2017

Pintura em óleo sobre tela, 70 x 50 cm

 

Quem dedica seu tempo e sua vida para uma coleção de arte? As pessoas sensíveis, eu diria. Em tempos em que tudo é líquido e efêmero, a coisa mais bonita foi conhecer o coração de Veridiana Brasileiro. Todo o período passado em sua companhia foi muito mais do que encontrar uma amiga, foram dias de muito aprendizado.


Lembro bem da tarde em que recebi o desafio de fazer uma releitura da Monalisa, estava no ateliê e comecei a desenhar todas as ideias que eu tinha sobre essa obra. Demorei semanas para concluir o trabalho, não me sentia satisfeita com nada. Imagina, interpretar uma obra consagrada!
 
Mas é o que Veridiana propõe em sua coleção, que o artista renuncie a todas as suas amarras com a produção e traduza, em uma obra, todos os caminhos que Leonardo da Vinci percorreu. Por isso, não consigo deixar de citar Manoel de Barros:
 
“Repetir, repetir - até ficar diferente”.
Repetir é um dom do estilo.

Azuhli – Artista Plástica

Beatriz Soares

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“Gioconda”, 2021

Arte digital impressa em canvas, 70 x 50 cm

 

Bruna Escossio

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O Meu Olhar para Monalisa, 2019

Pintura em óleo sobre tela, 30 x 20 cm

 

Bruna Monteiro

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Sem Título, 2015

Pintura em café sobre papel, 60 x 45 cm

 

Camila Albuquerque

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Mona Frita, 2020

Técnica mista com massa acrílica e pintura em óleo e acrílica sobre lona, 98 x 72 cm

 
 

Cândida Lopes

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Sem Título, 2021

Bordado, 20 x 20 cm

Cecília Bichucher

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Mona Invisível, 1998

Colagem sobre papel Canson Mi-Teintes,

43 x 29 cm

 

A passagem das Monalisas pelo Cariri

 

Conheci a Coleção de Monalisas no Museu do Ceará, em 2017. Fui acompanhando as notícias do seu percurso noutros museus cearenses, como fui me aproximando das suas curadoras - Veridiana Brasileiro e Andréa Dall´Olio - até que tive a oportunidade de contribuir com suas andanças pelo Cariri, começando pela Fundação Memorial Padre Cícero, onde foi inaugurada a exposição “Novos Olhares para Monalisa e a Cultura Regional”, em novembro de 2018, como parte do aniversário de 30 anos da Instituição. Comemoração que incluía a parceria com o CCBNB Cariri, onde abriu-se simultaneamente uma mostra complementar da coleção, intitulada “Novos Olhares para Monalisa: entre o pop e o contemporâneo”.

Essa coleção é um universo inesgotável de temas, cores, formas, texturas, técnicas, sentidos, escolas e movimentos artísticos, suscitados não somente pelas releituras de artistas inspirados num ícone da cultura ocidental, como a obra-prima de Leonardo da Vinci. Seu “segredo” está nos olhares argutos e sensíveis de suas curadoras que conseguem, o tempo todo, fascinar-nos com as composições que realizam, ao nos presentear com novas exposições, catálogos, oficinas, conversas sem fim e tantas outras coisas que ainda estão por vir, pois já estão na cabecinha dessas criaturas criadoras.  

Como não se (re)apaixonar por todas essas Monas, incluindo vocês, Veri e Andréa?

 

Cristina Holanda

Mestre em História Social

Coordenadora de Patrimônio Cultural e Memória da Secult-CE –

Secretaria de Cultura do Ceará 

Clau Loureiro

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Monalisa II-1221, 2021

Pintura em aguada e naquim sobre papel Canson 300mg,

29 x 42 cm

 

Cris Arruda

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Mona Frida, 2020

Colagem digital sobre tela, 29,7 x 42 cm

 

Cristina Castro

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Monalisa Cabeleireira, 2015

Pintura em acrílica sobre tela, 70x50cm

 

Eduarda Moiano

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Cangaceiros do Ceará (Redesenhando Julia Faria)

Bordado livre | Execução em 8 meses

A obra mais famosa do mundo, 2021

Desenho em nanquim sobre papel, 29,7 x 21 cm

 

Eloise Feres

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Sem Título, 2015

Desenho em carvão sobre papel, 42 x 29,7 cm

 

Emilia Porto

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Ela e as Flores, 2014

Técnica mista com colagem e pintura em acrílica e aquarela,

80 x 60 cm

 

Fabiana Azeredo

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Monalisa Adolescendo (Olhar Fiorentino), 2015

Escultura em papel maché e papietagem,

44 x 25 x 20cm

 

Helaine Mendonça

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Mona Noiva, 2019

Pintura em acrílica sobre tela, 70 x 50 cm

 

Ingrid Barreira

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Autorretrato, 2021

Fotografia

 

Ivy Collier

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Monalisa no Cosmo, 2019

Pintura em técnica mista sobre tela,

100 x 70 cm

 

Jacinta Cavalcante

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Mãos Monalisa, 2019

Escultura em resina poliéster com pó de mármore,

16 x 29 x 29 cm

 

Joana Cardoso

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Monalisa Brinco de Pérola Picasso, 2015

Pintura em acrílica sobre tela, 120 x 80 cm

 

Novos Olhares para Monalisa no e pelo Mauc/UFC

 

A Monalisa ou Gioconda de Leonardo Da Vinci, exposta no Museu do Louvre, é considerada a obra com maior interesse artístico desde a abertura dos museus ao público. A obra vem despertando os sentidos, sentimentos e curiosidade de todos que a veem pessoalmente ou por meio de publicações físicas ou digitais. A pintura, ao longo dos seus mais de quinhentos (500) anos de existência, foi apropriada, transformada e manipulada a partir de múltiplos meios e processos e que despertou o interesse e imaginário dos artistas, intelectuais, pesquisadores, colecionadores, marchands e visitantes ao redor do mundo. Neste despertar, a médica cearense Veridiana Brasileiro, iniciou e conta com uma coleção de releituras, sempre em crescimento, da icônica obra de Da Vinci, formada por artistas nacionais e internacionais.

Após uma temporada, iniciada em 2015, por instituições públicas e privadas do Estado do Ceará, um recorte da coleção Novos Olhares para Monalisa da colecionadora, aporta no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará - Mauc/UFC. A mostra integrou a programação e foi promovida pelo Serviço Social do Comércio – SESC/CE do Sistema Fecomércio, através do Edital SESC Cultural 2019, em parceria com o Museu de Arte e o Instituto Monalisa. A exposição coletiva abriu à visitação pública numa chuvosa manhã de sábado, dia 23 de março e com previsão de encerramento no dia 27 de abril, sendo prorrogada até 24 de maio de 2019. A exposição contou com a curadoria de Andréa Dall'Olio, que estabeleceu um diálogo com o lema e o compromisso deste museu e desta universidade “o universal pelo regional”. 

A exposição, dividida em três salas, apresentou ao público os expoentes da nossa cultura tradicional popular por meio de artistas oriundos do Cariri ou do interior cearense e que se destacam pelo uso das técnicas da xilogravura e da modelagem de esculturas em barro e cerâmica, bem como pelas representações regionais da famosa obra. Na segunda sala, o destaque ficou por conta do recorte em torno dos artistas nascidos ou radicados no Ceará e das suas Monalisas identificadas por hábitos, ações ou lugares conhecidos do nosso Estado. Na terceira e última sala, as mulheres, para além da Monalisa, entraram em cena… mulheres nacionais e internacionais ganharam, a partir daquele momento, o destaque merecido dentro da história da arte nesta casa museológica. Destaco, aqui, a presença das mulheres nos surpreendendo com o uso nada convencional das técnicas do bordado, das manufaturas, das cerâmicas, das técnicas mistas e dando vozes e sons ao ambiente.

Ao longo desses dois meses de convivência com cento e uma (101) obras artísticas, a exposição proporcionou a aproximação e reaproximação da comunidade interna e externa à UFC com os artistas visuais, assim como foram tempos de descobertas e redescobertas de lugares conhecidos do nosso Estado e de diversas técnicas artísticas utilizadas de forma criativa em cada reinterpretação artística da icônica obra. Cento e uma obras a partir de uma, nos possibilitou viagens pelos detalhes artísticos numa coleção de temática única e específica. 

Por fim, reforçamos, aqui, a importância do diálogo da exposição com a missão do Mauc/UFC, que possui um rico e representativo acervo de arte cearense e vem se construindo, há sessenta (60) anos, como um local de preservação e difusão de tal temática. Por outro lado, a coleção formada por Veridiana Brasileiro traz à luz uma produção super relevante da arte contemporânea, em especial, do Estado do Ceará, contando com obras de nomes importantes nas mais diversas técnicas e materiais, bem como o grande quantitativo de releituras produzidas por artistas mulheres, dando assim visibilidade para tais agentes e suas poéticas.

A arte é viva e em constante transformação e pulsação. Vida longa à coleção e aos artistas. 

 

Fortaleza, setembro de 2021

 

Graciele Karine Siqueira

Museóloga e Diretora

Museu de Arte 

Universidade Federal do Ceará

Lana Benigno

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Sem Título, 2018

Escultura em pano, 28 x 30 x 15 cm

 

Lia Sanders

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Sem Título, 2014

Pintura em acrílica sobre tela, 70 x 50 cm

 

Luciana Severo

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Monalisa Cangaceira, 2013

Pintura em acrílica sobre tela, 100 x 70 cm

Mairla Costa

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Monalisa no Sertão, 2018

Pintura em acrílica sobre tela, 70 x 50 cm

 

Em março de 2018, ao visitar a exposição “Novos Olhares para Monalisa” no Museu do Ceará, fiquei muito entusiasmada diante da iniciativa da jovem colecionadora Veridiana Brasileiro, em instigar os artistas a fazerem releituras da emblemática obra de Leonardo da Vinci.

A coleção prima pela diversidade, permitindo a apreciação da criatividade e talento de centenas de artistas visuais, na sua maioria cearenses, que se utilizam de diversas formas de expressão, técnicas e recursos na produção de suas releituras.

A cada nova exposição percebe-se que Veridiana amplia o olhar para Monalisa, trazendo à cena novos talentos, novas linguagens, promovendo conhecimento, aquecendo o mercado de arte e, principalmente, estimulando e valorizando a produção artística.

Novos Olhares para Monalisa dá acesso à fruição da arte em suas múltiplas expressões, atingindo públicos diversos nos seus percursos em espaços públicos e privados, cumprindo, outrossim, sua função de despertar o interesse pela arte, formar apreciadores e inspirar novos colecionadores.

Veridiana Brasileiro é uma agente do estímulo, aprimoramento e sustentabilidade do sistema de arte além-fronteiras, atuando, também, na preservação dos bens artísticos e culturais que compõem seu rico acervo.

O colecionismo é fundamental, além de sustentar a produção artística, é também uma forma de cuidar das obras, uma grande responsabilidade, como afirmam os colecionadores Andrea e José Olympio Pereira (SP).

Parabenizo Veridiana Brasileiro e sua parceira de sonhos e realizações, Andréa Dall’Olio, desejando com especial admiração, muitas conquistas e grandes vôos para o sucesso crescente da Coleção Novos Olhares para Monalisa .

Viva a Arte!

Ignês Meneleu Fiuza

Produtora Cultural / Grupo Criativo Oicos

Maria das Dores

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Sem título, 2020

Pintura em técnica mista com colagem,

60 x 50 cm

Nyna Nóbrega

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Maré, 2019

Pintura em acrílica sobre Tela, 70 x 50 cm

 
 

Raianny Queiroz

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Sem título, 2019

Pintura em aquarela sobre papel, 42 x 29,7 cm

 

Raquel Morano

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Sem Título, 2015

Quilling sobre papel, 65 x 48 cm

 

Minha paixão pelo colecionismo iniciou-se ainda na infância, com os típicos papéis de carta, revistas em quadrinhos e álbuns de figurinhas. Mas a seriedade na prática do colecionismo estabeleceu-se por volta dos 11 anos de idade, quando me associei aos Correios e virei filatelista praticante, o que era motivo de orgulho para mim. Durante muitos anos, frequentei o Parque das Crianças e a EMCETUR aos domingos, levada pelos meus pais para comprar e trocar selos. Desde então, as coleções passaram por moedas, cédulas, canetas, cartões postais, cartões telefônicos e playmobil. A maioria das coleções ainda existe, bem guardadas em local especialmente reservado para elas. Nos últimos 13 anos, comecei a colecionar obras de arte. A coleção de releituras da Mona Lisa, feitas por artistas nacionais e internacionais, que, atualmente, tem mais de 600 obras, é a minha atividade de colecionismo atual. 

Eu não saberia explicar sobre o amor e a necessidade que tenho de colecionar. Mas é algo inerente a minha vida, tão natural como a medicina. Simplesmente faz parte e faz-me muito feliz! Colecionar é das coisas que eu gosto de fazer na vida.

Quando iniciei a coleção de Monalisas, eu estava ao mesmo tempo descobrindo a arte, um mundo novo que se descortinou para mim. Minha curiosidade era tamanha que comprei livros de arte e comecei a pesquisar muito sobre o assunto na internet. Interessou-me, inicialmente, a História da Arte e o conhecimento das técnicas, materiais e estilos. E a infinidade de novos conhecimentos me surpreendia, dia após dia. Foi quando surgiu a vontade de, através da minha coleção, representar todas as possibilidades em que a arte pode ser expressa, pelo olhar e estilo de cada artista; todas as variáveis técnicas, os diversos suportes e materiais. Assim, passei a garimpar artistas, cuja arte me surpreendesse, que tivesse sua identidade própria ou dominasse uma técnica, de modo que pudesse ser o representante daquela modalidade em minha coleção. 

Desde o início, a coleção foi pensada para ser didática e instrutiva, um projeto educacional que pudesse ser apresentado na forma de exposições em espaços culturais institucionais. Sonhei em ver ônibus chegando aos museus, trazendo crianças em grupos escolares, descendo em fila e entrando para ver a exposição, imaginando seu encantamento e interação... até que esse sonho se realizou por ocasião da primeira grande exposição no Museu do Ceará, em Fortaleza, 2018. Depois, repetiu-se em todas as exposições seguintes. Até o momento anterior à publicação deste livro, já são contabilizadas 19 exposições em cidades do Ceará. 

Com o início do circuito de exposições, percebi que a coleção tornara-se uma oportunidade para muitos artistas, como meio de lançar seus nomes e apresentar seus trabalhos. Assim, tornou-se, para mim, uma meta a ser alcançada: dar espaço a jovens e iniciantes artistas, bem como estimular a arte em populações que não tem acesso fácil às artes visuais. Ao lado de renomados e premiados artistas, as exposições passaram a dar oportunidade aos artistas de cada localidade a que a coleção chegou, a jovens talentos e a talentos ocultos, tidos como praticantes da arte por hobbie, porém, que nunca tiveram a chance de participar de uma exposição. A experiência em oportunizar essa condição trouxe muita realização para mim, ao ver o surgimento e o florescer de personalidades que, atualmente, fazem da arte uma parte de suas vidas, que se autoproclamaram artistas e, assim, deixaram-se levar pelo caminho da arte, tornando-se profissionais felizes e realizados. Ao longo dessa trajetória, há também belos exemplos de crianças que despertaram a atenção e interesse para a arte e, a partir do contato com as Monalisas, passaram a praticar atividades de arte e a frequentar exposições com mais frequência, acompanhados de seus pais.

Num ato de apropriação e nominação, as releituras da Mona Lisa que fazem parte da minha coleção são denominadas de Monalisa, diferenciando-as da grafia da obra original de Leonardo da Vinci. Por isso, nos textos seguintes, encontrar-se-ão ambas as grafias. 

Que esta catalogação sirva como documentação e registro dessas gerações de artistas que estão aqui representados por suas Monalisas. Costumo dizer que tenho uma coleção de artistas, pois, de fato, coleciono artistas num mesmo tema. É a multiplicidade de expressões numa temática única, que transforma esta coleção em uma riqueza cultural representativa da arte do Ceará.

 

Veridiana Brasileiro

Médica otorrinolaringologista e colecionadora

Rose Barbosa

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Fragmentos de Monalisa, 2020

Mosaico, 77 x 53 cm

 

Sandra Montenegro

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Monalisa entre as Flores, 2019

Linoleogravura sobre papel, 48 x 36 cm

 

Saynara Marreiro

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Monalisa entre as Flores, 2021

Tinta acrílica sobre tela, 30x20 cm

 

Segiane Cabral

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My Insight Eu Sou, 2019

Pintura em acrílica e óleo sobre tela

50 x 80 cm

 

Silânia Cavalcante

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Mona Seleiro, 2019

Gravura em metal sobre papel,

PA, 50 x 42 cm

 

Silvia Reis

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De Mucha a Silvia Reis, uma Monalisa, 2016

Pintura em óleo, nanquim e verniz vitral sobre vidro,

141 x 38 cm

 

Tereza Mello

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Sem Título, 2019

Pintura em técnica mista com aguada, acrílica

e douração sobre papel, 65 x 50 cm

 

Vera Sampaio

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Bordalisa, 2019

Bordado sobre cânhamo com linhas de algodão italiano,

45 x 40 cm

 

Vitória Marques

VITÓRIA MARQUES.jpg

Lisa no Espelho, 2019

Linoleogravura sobre papel, 43 x 31 cm

 

FICHA TÉCNICA

 

Curadoria

Andréa Dall'Olio

Produção Executiva

Nefertith Andrade

Produção

Mairla Costa

Equipe de Gravação

Artur Luz

Montagem e Design

Yule Bernardo

Assessoria de Imprensa

 Monique Linhares